No Brasil, ervas são utilizadas para chazinhos inofensivos. Na China, fazem parte do rol de matérias-primas utilizadas para a produção de medicamentos, ao lado de sementes, raízes e elementos do reino animal e mineral. Magnésio, sais de mercúrio, veneno de cobra, insetos e até cálculo renal bovino entram nas fórmulas em constante pesquisa. Também se engana quem pensa que qualquer folhinha ou raiz pode ser utilizada como remédio. "Trabalhamos apenas com mil ervas cadastradas e autorizadas pelo governo chinês", esclarece o médico Gao Yang, gerente do mais antigo laboratório da China, o Beijing Tong Ren Tang.
A farmácia foi criada em 1669 por um médico que atendia os imperadores. Ao perceber que algumas fórmulas eram utilizadas com mais freqüência, passou a vender os remédios prontos, e assim surgiu a rede que tem mais de 50 de farmácias só em Pequim e outras 30 espalhadas pela China, mais filiais na Inglaterra, no Canadá, na Malásia, em Cingapura e no Vietnã.
"Antes se pensava que a medicina chinesa era só uma coisa natural, que não curava doenças. Agora os ocidentais estão compreendendo que é um tratamento", diz Gao, acrescentando que o público-alvo das farmácias no exterior seja a diáspora chinesa.
Ele explica que doenças diferentes têm receitas diferentes e combinam diferentes elementos. Até mesmo o câncer pode ser tratado com medicina chinesa, garante o médico. "Assim como a medicina ocidental, ainda estamos pesquisando. Não há cura, mas há medicamentos que controlam certos tipos da doença", esclarece.
As fórmulas variam, mas um elemento está presente em todos os medicamentos para câncer o dongchongxiacao (cordyceps sinensis), que levanta a imunidade do corpo. Há remédio para tudo. Alguns prontos, outros preparados a partir de receitas individualizadas. Entre os mais populares estão o angongniuhuang, para derrames e febres muita altas, e o niuhuangqingxin, para pressão alta e garganta ressecada em razão de bebida e cigarro (a fórmula inclui cálculo bovino, ginseng e outros 21 ingredientes). Alguns, como o ginseng natural colhido das montanhas do norte da China, podem valer uma fortuna. O preço depende da idade, do tamanho e do formato; beleza também conta.
Os mais valiosos têm 100 anos. Recentemente, a rede Tong Ren Tang vendeu um ginseng de 60 anos por 800 mil yuans, o equivalente a R$ 200 mil.
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