A partir de novembro, os hospitais Materno Infantil (HMI) e de Urgências de Goiânia (Hugo) – unidades da Secretaria da Saúde do Estado de Goiás (SES-GO) – passam a contar com novos serviços, que visam melhorar o atendimento aos pacientes. A horizontalização do atendimento será implantada no Hugo e ampliada no HMI. Será ampliado também o serviço de devolução de pacientes que não correspondem ao perfil destas unidades.
Desde setembro do ano passado foi implantado no Hugo e no Materno o serviço de classificação de risco (confira mais informações sobre o serviço abaixo). A partir de então, foi implementada também nestas unidades a devolução de pacientes às unidades básicas de atendimento ou aos municípios de origem. O objetivo é encaminhar pacientes que não correspondem ao perfil destes hospitais de referências para unidades adequadas.
Este serviço de devolução de pacientes vinha funcionando até as 22 horas no Hugo e até as 18 horas no HMI. A determinação do secretário estadual de Saúde, Helio de Sousa, é que a partir desta semana, a primeira de novembro, a devolução passe a funcionar nas duas unidades 24 horas por dia, durante toda a semana (de segunda a domingo).
O objetivo da devolução é permitir que estes hospitais de referência atendam somente pacientes referenciados e que correspondam aos seus perfis. “Essa é uma maneira de desafogar o atendimento, diminuir a demanda e, conseqüentemente, proporcionar um serviço de maior qualidade à população”, explica Sílvio Divino de Melo, superintendente de Controle e Avaliação Técnica em Saúde da SES-GO.
A superlotação nestas unidades de referência é explicada pelo fato de que a maioria dos pacientes que procura o Hugo e o Materno não corresponde ao perfil destas unidades. No HMI, 61% dos pacientes que chegam ao pronto socorro não deveriam estar ali e poderiam ter sido atendidos em outros locais, segundo informa a diretora geral do Materno, Lucimar Ferreira.
Realidade semelhante ocorre no Hugo. O diretor geral, Luciano Leão, destaca que em média 60% dos pacientes que chegam ao hospital não correspondem ao perfil da unidade. “Essa é uma realidade nacional. Isso ocorre no Brasil inteiro, nas unidades de referência”, explica.
Devolução de pacientes
O serviço de devolução de pacientes foi implementado após a adoção da classificação de risco por cores. Depois de detectar que o indivíduo pode ser atendido numa unidade de atendimento básico ou em seu município de origem, funcionários do Estado (do Hugo e do HMI) em parceria com servidores dos municípios localizam uma unidade – geralmente Cais ou Ciams – onde este paciente poderá receber o atendimento adequado. Após esta identificação, é feita a confirmação na unidade para que a mesma receba o paciente, que é levado em ambulância do Estado.
Lucimar Ferreira destaca que caso o paciente não queira ir para outra unidade, ele tem o direito de ficar esperando nos hospitais de referência. Porém, esse paciente fica ciente de que outros pacientes têm atendimento prioritário, por conta da gravidade dos casos. “Em nenhuma hipótese a pessoa fica desassistida, seja no HMI ou na unidade para onde ele será levado”, garante a diretora do Materno.
Como este serviço já vem sendo realizado e dando resultados positivos, o secretário Helio de Sousa determinou que ele passe a funcionar 24 horas em todos os dias da semana nestes dois hospitais. Luciano Leão lembra que depois da implementação da classificação de risco e o reencaminhamento de pacientes para outras unidades, a demanda de pacientes no Hugo teve uma queda significativa.
“Quando assumi a direção geral do Hugo, em dezembro de 2006, atendíamos em média 1,5 mil pacientes por dia. Atualmente os atendimentos diários variam entre 400 e 500 pacientes. Houve uma queda significativa de pessoas aguardando atendimento”, explica o diretor geral do Hugo.
Classificação de risco
O trabalho de classificação de risco é feito por enfermeiros do Hugo e do HMI, que atendem aos pacientes e classificam, por meio de cartões coloridos, a gravidade do caso e define a prioridade do atendimento. Após a avaliação do paciente – baseada em critérios clínicos –, ele recebe uma etiqueta colorida. Azul significa queixa simples. Verde, baixa prioridade. Amarelo, média complexidade. E, vermelho significa alta complexidade. “Antes, atendíamos por ordem de chegada. Hoje atendemos por ordem de prioridade”, destaca Lucimar Ferreira.
A triagem de pacientes e a classificação de risco têm por objetivo proporcionar a estas unidades de referência a possibilidade de trabalhar dentro de suas vocações. No caso do Hugo – que é um hospital de referência em atendimento de urgências e emergências e de portas fechadas – atender somente pacientes referendados, que já receberam um primeiro atendimento nas unidades dos municípios. No caso do HMI o objetivo é o mesmo.
Para que o Hugo e o HMI atendam casos que correspondam aos seus perfis, também vem sendo feito um trabalho de regulação. “Há algum tempo o Hugo vem perdendo sua identidade de hospital de referência, passando a atender casos que não são de sua competência e que, na maioria das vezes, deveriam ser resolvidos nas unidades de atendimento básico”, reclama o diretor geral da unidade.
Horizontalização
Outra novidade, que será implementa no Hugo e no Materno, por determinação do secretário Helio de Sousa, é a horizontalização do atendimento. Isso significa que estes hospitais contarão com equipes de médicos e enfermeiros diaristas, e não somente plantonistas, que irão acompanhar os pacientes. “Esse serviço garante um maior comprometimento do profissional com seu paciente, que tem seu problema resolvido de forma mais rápida. Isso significa qualidade no atendimento”, salienta Luciano Leão.
A diretora do HMI informa que o hospital já conta com equipes de diaristas há algum tempo e que o resultado deste trabalho é altamente positivo. “Desta forma, cria-se vínculo entre o paciente e o profissional, além de uma maior responsabilização por parte do médico e do enfermeiro com relação ao serviço prestado”, afirma Lucimar Ferreira.
No Hugo, já está tudo definido para a implementação da horizontalização. O diretor informa que agora serão contratados profissionais para atuarem como diaristas. Inicialmente, no Hugo serão formadas cinco equipes (cada uma delas com um médico e um enfermeiro) para atuarem como diaristas. “A idéia é gradativamente aumentarmos este quantitativo”, informa o diretor.
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