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Publicado em 24 Fevereiro 2009
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CF 2009: Fraternidade e Segurança Pública

A Campanha da Fraternidade deste ano   tem como tema “Fraternidade e segurança pública” e lema “A paz é fruto da Justiça (Is 32,17)”. Um tema bastante propício num momento em que os brasileiros vivem, no cotidiano, as conseqüências das injustas e a insegurança.

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 "Ao tratar desse assunto numa sociedade que, a cada dia, torna-se mais insegura e violenta, a CNBB deseja colaborar para, através da presença do Evangelho, criar condições de promover uma cultura de paz fundamentada na justiça social" - afirma dom Dimas Lara Barbosa, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

 

A CNBB lança a campanha no dia 25 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, com o objetivo de levar aos cristãos uma reflexão, discussão e até a busca de soluções para tanta injustiça que gera a insegurança.

 

Se engana quem pensa que a segurança pública está restrita à implantação de ações repreessivas, colocando nas ruas mais policiais e armamentos, embasados em leis mais severas. Também  se engana quem pensa que esta segurança está ligada a penas mais longas e construções de mais presídios. Segundo os colaboradores do Texto-Base, um dos objetivos da Campanha da Fraternidade 2009 é mudar este visão, tão comum entre os cidadãos.

A ideia é alterar essa visão, desenvolvendo o conceito de "segurança humana", o que abriria  uma nova perspectiva na luta contra a violência, criando a possibilidade de as políticas na área da segurança pública refletirem a decisão de colocar os seres humanos no centro das atenções.

 

Texto-Base - De acordo com o Texto-base, a  violência sempre se revela "quando é negado à pessoa aquilo que lhe é direito a partir de sua dignidade ou quando a convivência humana é direcionada para o mal. Nesse sentido, o Texto-base da campanha aponta para uma série de realidades e atitudes geradoras de violência e que, portanto, conspiram contra a segurança pública.

 

A incapacidade de lidar e respeitar as diferenças, seja de que natureza forem; a recusa ao diálogo como forma de mediação de divergências, levando a conflitos de ordem pessoal, familiar e social; a sensação de impunidade, que faz todos se sentirem um pouco livres para agirem em desconformidade com a lei; e a negação de uma identidade nacional forjada numa história violenta, marcada pela escravidão de índios e negros, pela opressão das camadas mais pobres da população e pelo uso da força contra grupos que aspiram a direitos legítimos, são o fermento da insegurança pública.

 

Daí por que o objetivo geral da CF-2009 é contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos.

 

Sinais de esperança –O  Texto-base apresenta alguns gestos concretos que servem como sinal de esperança para a formação de uma cultura de paz e que devem ser assumidos e multiplicados no desenrolar da CF-2009. Segundo o texto, a paz que se busca e que garante a segurança pública é a paz positiva, "orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao 'outro' e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso da força das armas, a intolerância com os 'diferentes', e tendo como foco os bens materiais".

 

Um enfoque especial é dado às ações educativas, conscientizando as famílias sobre a necessidade de assumirem o papel na educação dos filhos na cultura da paz, a partir dos valores do Reino de Deus. Outro ponto de destaque é a difusão da CF-2009 nas escolas públicas e particulares, transformando a segurança pública num eixo transversal do processo pedagógico, envolvendo não apenas os alunos, mas toda a comunidade escolar. A realização de campanhas educacionais, nas paróquias e dioceses, em relação aos principais problemas que geram a insegurança pública também é uma forma de ação proposta no Texto-base.

Há, no entanto, dezenas de outras sugestões de ações que podem ser assumidas individualmente ou em comunidade.

 

Leia abaixo alguns exemplos são incentivar a criação de centros que ofereçam programas de formação em temas voltados para as questões de segurança pública:

 

* promover uma Pastoral Familiar capaz de ajudar cada família a superar os problemas de violência doméstica;

 

* criar espaços na internet para discutir os assuntos levantados pela CF, a fim de atingir principalmente os jovens;

 

* assegurar que se organizem serviços de caridade para com as vítimas da violência e seus familiares;

 

* fortalecer as pastorais sociais em geral e, em particular, a Pastoral Carcerária;

 

* promover dinâmicas que levem ao perdão e à reconciliação, sobretudo nas famílias;

 

* aprofundar a presença pastoral nas populações mais frágeis e ameaçadas pelo mundo do crime;

 

* desenvolver e difundir uma espiritualidade da não-violência;

 

* denunciar e combater toda forma de trabalho escravo, tráfico de pessoas,

 

* exploração sexual, sobretudo da criança e do adolescente, dentre várias outras ações propostas.

 

Objetivos específicos sugeridos no Texto-Base para promover a segurança: 

 

*  Desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social, a fim de que possam se sensibilizar e se mobilizar, assumindo sua responsabilidade pessoal no que diz respeito ao problema da violência e à acomodação da cultura da paz.

 

*  Denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos da prisão especial, do foro privilegiado e da imunidade parlamentar para crimes comuns.

 

*  Fortalecer a ação educativa e evangelizadora, objetivando a construção da cultura da paz, a conscientização sobre a negação de direitos como causa da violência e o rompimento com as visões de guerra, as quais erigem a violência como solução para a violência.

 

* Denunciar a predominância do modelo punitivo presente no sistema penal brasileiro, expressão de mera vingança, a fim de incorporar ações educativas, penas alternativas e fóruns de mediação de conflitos que visem à superação dos problemas e à aplicação da justiça restaurativa.

 

* Favorecer a criação e a articulação de redes sociais populares e de políticas públicas com vistas à superação da violência e de suas causas e à difusão da cultura da paz.

 

*  Desenvolver ações que visem à superação das causas e dos fatores de insegurança.

 

*  Despertar o agir solidário para com as vítimas da violência.

 

*  Apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos.

 

Fonte: Família Cristã
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