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Publicado em 04 Novembro 2008
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Brasil reúne 192 países contra a exploração sexual infanto-juvenil

O Rio de Janeiro será palco do III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes entre os dias 25 e 28 de novembro. Os principais objetivos do encontro são o combate às novas formas de exploração, por exemplo, pela internet e pelo tráfico de pessoas; o debate sobre a responsabilidade dos diversos segmentos da sociedade para o enfrentamento do fenômeno e o levantamento sobre a importância da temática.

A idéia é mobilizar os governantes, provocando o desenvolvimento de articulações e políticas setoriais junto aos representantes do legislativo, à família, à sociedade civil e ao setor privado.

Na ocasião será defendida a responsabilização eficaz de criminosos nos diferentes territórios onde atuam. Pretende-se combater a exploração sexual infanto-juvenil com ações globais de cooperação internacional como a criação de bancos de dados, intercâmbios de experiências, mecanismos que facilitem a extradição de pessoas e o resgate de crianças, maior capacitação nas redes de segurança e desenvolvimento de ferramentas e sistemas de controle.

Garotas e garotos do Brasil e de outros países participarão do evento que reservou 10% das vagas para que eles atuem nas delegações da mesma forma que os adultos, nas mesmas oficinas e mesas de discussão.

Denúncias - O número de denúncias de crimes cometidos contra crianças e adolescentes cresce a cada ano no Brasil. De acordo com dados do Disque-Denúncia Nacional, a exploração sexual infanto-juvenil corresponde a apenas 11% das denúncias de violência, valor que corresponde a 4.902 citações em um universo de 43.387 casos registrados somente este ano.

Para a socióloga Graça Gadelha, consultora no tema, a exploração sexual é vista de uma forma diferente do abuso sexual. “Costumamos ter posturas diferentes para a exploração e para o abuso. O abuso sensibiliza as pessoas, em situações intra-familiares ou não, porque normalmente os atingidos são crianças. Mas a exploração, mais ligada ao público adolescente, é associada a um ato voluntário. Parece que é uma escolha da menina, ela está ali porque quer, porque gosta”, diz.

Setor Privado - O coordenador do programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef, Mário Volpi, diz que um diferencial do III Congresso é a luta pela maior responsabilização corporativa. “O mercado precisa se responsabilizar.

A sociedade civil já vem tratando o tema com novas abordagens, mas agora é o setor privado que precisa fazer investimentos mais consistentes, disponibilizando recursos e principalmente avaliando sua própria cadeia produtiva; verificando se nela existe a possibilidade de surgir casos de exploração”, exemplifica.

Para Volpi, grandes projetos de desenvolvimento criam no seu entorno redes de exploração, como construções de usinas hidrelétricas, redes de asfalto, atividades turísticas, regiões de garimpos, projetos na Amazônia e Ásia. “O que queremos das instituições envolvidas é o compromisso de que vai haver combate a esse tipo de problema nos seus sistemas”, salienta.

Fonte: Andi
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